Os sinos já começaram a bater
O anúncio da morte já vem
Seu tênis branco encardido
É o único que tem
Não teve chances de se esconder
Vindo da própria família o caixão
Indesejado por todos
Se vê caído no chão
Era uma questão de mostrar serviço
Queriam que fosse doutor
Mas quando viram a verdade
O humilharam sem pudor
Sempre perdido em pensamentos
Criou um mundo de fantasias
Onde seus maiores desejos
Se realizavam com harmonia
Nos lugares imaginados
Não tinha luxo nem perversão
Sentia falta de sua infância
Queria o parque de diversão
Como ídolo tinha o pai
Nunca esqueceu daquele dia bonito
Onde seu velho deixou de comer
Para levá-lo ao pedalinho
Nas datas comemorativas
Que se sentia mais sozinho
Com ou sem árvore de natal
Não recebia o esperado carinho
Tentou encontrar uma forma
Menos drástica e depressiva
Mas resolveu logo tudo
De uma maneira bem agressiva
Não precisou de cerimônia
Em nenhum momento quis hesitar
Se dirigiu para o terraço do prédio
Era o décimo quinto andar
Enquanto seu corpo caía
Ia ganhando velocidade
Manteve os olhos fechados
Sentia uma certa felicidade
Libertava-se do mundo mesquinho
Que tanto lhe oprimia
Estava com consciência limpa
Um ponto final era o que via
Enfim chocou-se ao solo
Sensação de silêncio e escuridão
Os pedaços do seu corpo
Espalharam-se pelo chão
Muitas vezes somos surpreendidos por sentimentos de abandono e solidão, aquele momento em que entramos no quarto e não conseguimos compreender o sentido da vida, travamos verdadeiras batalhas em nossas mentes, buscando respostas que na maioria das vezes só o tempo irá dizer. E devido a impaciência de esperar, surgem alternativas a se seguir de extremo desespero, como no exemplo do suicídio. Não deixa de ser um assunto polêmico, mas que na minha opinião pode ser ou não a solução, depende bastante de vários fatores, de origem complexa, pois até hoje ninguém conseguiu saber o que se passa de fato em nossas mentes.
Ass: Flipper
Nenhum comentário:
Postar um comentário