domingo, 24 de dezembro de 2023

O que é o Natal?

É apenas folga e ócio?
Só descanso, só lazer?
É apenas tempo dócil?
Breve pausa, pode ser?

É, talvez, Papai Noel?
Só presente caro e bom?
É festim e mui pitéu?
Só comida, drink e som?

É apenas festa e neve?
Só enfeite e pisca-pisca?
É apenas dita breve?
Lesta luz, fugaz faísca?

Digo a ti, dileto amigo:
É, deveras, muito mais;
É de outrora, muito antigo,
Muito velho, até demais.

É o conto de um Menino
Tão modesto, o meu Senhor;
Tão perfeito, tão divino,
Tão sobejo o Seu amor.

É amor de mãe perfeita,
Tão feliz com seu neném;
É a mãe por Deus eleita,
Leda a Virgem de Belém.

Brinde e ria, meu amigo;
Veio a nós o meu Senhor!
Beba e coma, pois, te digo:
Veio Cristo salvador!

Lá, na cruz, o Rei Judeu 
É, de nós, o redentor
Pois a morte Deus venceu
Tão sobejo o Seu amor.

Ass: Wally

quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

Soneto laudatório a Selene, deusa da lua, rainha da noite e do silêncio

Eu clamo a ti, donosa e nívea nume
Que rege a lua, seu ameno leito,
Argênteo e tácito olho, a mim afeito;
Da noite, puro rosto, guapo lume.

Então, Selene, escute o meu queixume:
Convide Leto a meu jazigo estreito;
Amaine a estafa em meu arfante peito;
Derrame em mim o sono, seu perfume!

Descenda, diva, e traga a mim Morfeu.
Oferte a mim estrelas, seu ornato,
Quiçá, durante o sono eterno meu;
Quiçá, até convide Nix ou Tânato.

Selene, deusa, dê-me o elixir:
Assim, igual a Hélio, vou dormir.

Ass: Wally

domingo, 6 de agosto de 2023

Loas a Josete

Benquista mãe, dedico-lhe este canto,
Encômio humilde a ti, mamãe ciosa;
Amor da minha vida, minha rosa;
Jucundo o meu jardim, o seu recanto.

Dedico, então, feliz, mamãe donosa,
Um hino à sua efígie que amo tanto:
A flor que aqui cultivo, um lume eu planto,
Que adita e canta assaz, melíflua prosa,

Que emite régia luz e doce olor.
Pedi a Virgílio e Dante um belo verso
Que a ti fizesse jus, airosa flor,

Mas nunca, alhures, viram tanto emerso
Ingente e guapa rosa e seu fulgor,
Que adorna o seu jardim, sacrário terso.

Ass: Wally

quinta-feira, 20 de julho de 2023

Soneto a Javé

Enfim cansei, Javé, do Seu mistério!
Egrégio o amor de Ti, também haurido;
Demonstra o Teu caminho a ser corrido
E escuta o meu planger deveras sério.

Me diz se, como Adão, me vou, caído,
Além do Seu Jardim, do Seu Império, 
Rezar a um deus qualquer, um deus sumério, 
Distante, além do Céu a mim querido. 

Seria eu qual dos filhos seus, Noé?
Prosápia infausta, fausta, vil desdita?
Seria eu Sem ou Cam, talvez Jafé?

Então me diz, Javé, e não me evita!
Preciso andar no vale, só, a pé?
Eu não mereço o Teu amor semita?

Ass: Wally

terça-feira, 18 de julho de 2023

Ode a bebê Jesus, Luz do mundo

Na Bíblia, Lucas diz: a Luz nascia

Em véus, pastores, magos, noite fria;

Belém, Judeia, Sua mãe sorria; 

Advém a Fé do ventre seu, Maria.


Correu de Herodes, grande raiva tinha;

Bebê Jesus, seguro, dentre a vinha;

Feliz aquela mãe que não sozinha 

O fez O Rei dos reis, dos servos, rainhas.


Ass: Wally


segunda-feira, 17 de julho de 2023

Iambo à família, a luz da sociedade

Papai me ordena: assinto, choro e faço;

Mamãe: bebê no colo, amor no abraço;

Irmãos: pilhéria, briga, andar descalço.

Família augusta, amor excelso, de aço; 

Amor dileto, puro, não-devasso,

Transcende o tempo e o cosmo, além do espaço!

Ass: Wally

domingo, 22 de janeiro de 2023

O romper da aurora

 Encrustado em meu quarto

Vou afundando até sumir

Perdido em memórias tristes

Já não tenho pra onde ir


Refaço aquele mesmo caminho

Dos tempos de outrora

As pessoas sumiram, tudo mudou

Não percebi o romper da aurora


Tentando manter a lucidez

Em momentos desapercebidos

Sentindo o vento da madrugada

E esquivando dos perigos


Paisagem noturna, gótica

Vejo o balançar dos galhos

Tentando encontrar descanso

Enquanto cai o fino orvalho


Ass: Flipper




sábado, 21 de janeiro de 2023

Meiriane

 Nunca esqueci nosso momento naquele fim de tarde no colégio onde estudávamos, estávamos no ensino fundamental, ainda tínhamos aquela inocência, nunca mais consegui retornar àquele sentimento tão puro e bom, gostaria de registrar esse acontecimento pois a cada ano que se passa um pedacinho dessa lembrança parece que se perde e com as palavras posso eternizar momentos. Sentamos em uma mureta de frente para a rua, o barulho de todas aquelas outras crianças e dos carros que passavam desapareceu e de repente éramos só eu e você e nada nem ninguém poderia interromper o que estava acontecendo ali. Você olhou diretamente e profundo na minha retina com aqueles seus olhos claros e encantadores, dignos de admiração, e eu como se caído em um feitiço fiquei paralisado olhando também fixamente sem piscar, nenhum de nós conseguia emitir palavra alguma, aquele momento de alguns segundos pareciam horas, o tempo parou e nos conectamos em uma dimensão à parte a qual eu nunca tinha ido antes, seus cabelos balançavam lentamente com a brisa suave que soprava naquele instante, algo desconhecido para nós acontecia naquele momento, Meiriane se levantou, deu um sorriso e foi embora. O fato é que mesmo após décadas, não sei explicar o motivo, essa recordação vem na mente como uma bóia cheia de ar que sobe com rapidez até a superfície d'água, como se meu subconsciente clamasse por algo parecido de novo, mas o tempo passou e me sinto a cada dia mais gélido, indiferente a qualquer tipo de emoção. Nunca mais tive notícias da Meiriane, posso encontrá-la somente nas memórias mais nostálgicas do meu ser.


Ass: Flipper