"A estonteante beleza de Letícia
Que certa noite pude ver
Deixou forte impressão
desde então... no meu ser".
Já para a noite o Crepúsculo descambara
Pela negra floresta de íngremes colinas
por enormes pinheiros, robustez verdejante
Já se insinuava a espessa neblina...
Os ventos do inverno com seu ar congelante
Uivavam céleres por entre os rochedos
Pendia da relva um dilúvio constante
de folhas cadentes a chover d'arvoredos
Vejo um jovem que vem pela floresta
Como um espectro em vapores de gelo
etérea visão de névoa e de bruma
A luz da lua em seus louros cabelos
Sobre os aromas da mata profunda
Distante de mim fiquei eu a ver
A pálida moça em meio a penumbra
Cegando meus olhos, prendendo meu ser
Como é estarrecedor a visão incorpórea
Da pálida moça de névoa e de neve
Como é altivo o semblante do rosto
A beleza do rosto de traço leve
Como é formoso o matiz perolado
O amarelo, o dourado dos fios de cabelo
Como é lascivo o desejo do gosto
De beijar o pescoço da moça que segue
Noite gélida... Floresta escura...
Escondem-se na mata mais doidos medos
Por que não temes a intensa negrura?
Por que não te gela a ponta dos dedos
Pia a coruja... Noite sombria!
Jovem da noite qual é teu segredo?
Não te amedronta as criaturas
Que saem de noite e não dormem cedo?
Parou, sonambúlica visão que ia e vinha
E quanto mais o luar prateava
mais o estupor me envolvia...
Idílica imagem do inconsciente
Fitaram meus olhos, seus olhos ardentes
E no pálido rosto, o mais belo existente
Formou-se sorriso vermelho... doente!
E tão logo parou-se subitamente...
Sumiu na mata, a moça... de repente
Noite gélida! floresta sombria
A noite é escura e tem seus segredos
Sinto duas presas penetrar o pescoço
Num elo tão tênue de gozo e de medo
Era a jovem da noite de pele tão fria
Recostar junto a mim e beber do meu gosto
E quanto mais o luzir sucumbia
Mais eu queria beijar o seu rosto
Se isto é morrer... por que eu vivia?
Se a morte é tão doce e com tanta frescura
Se vão sumindo as agonias
E vão me envolvendo as trevas escuras...
E nos últimos suspiros... vi um clarão
E vi Letícia sobre a escuridão
ela sorriu... tão linda e então...
Bateu pela última vez o meu coração
O Poeta da Noite
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