sábado, 9 de abril de 2016

Vozes da Noite

Ó Volumosas, caudalosas, escandalosas
Vertiginosas, tempestuosas, incensantes vozes
Que mo chegam aos ouvidos flutuosas
Em espirais de palavras tão nervosas;
Ó intrigantes, lancinantes, aterrorizantes vozes,
Mo suspendem, mo elevam sinuosas
Em vórtices de negra energia cósmica;

Ó horripilantes, intrigantes, agonizantes vozes
Palavas, súplicas, queixas lamuriosas
Confissões, visões, narrativas perigosas,
Vozes de vítimas que culpam seus algozes
Cântico de virgens vaporosas...
Mo acariciam, mo beijam carinhosas
Depois, transmutam em bestas monstruosas

Ó rodopiantes, apavorantes, emudecedoras vozes
Mo sugam, mo usam criminosas
em narrativa, verso e prosa...
Vozes de poetas já vividos...
Dos amores não cumpridos
Dos que não foram ouvidos
Ó delirantes, rodopiantes, trêmulas vozes

Meu coração anoitecido, jaz há muito envolvido
Ó pecaminosas, viciosas, tuberculosas vozes
horripilantes, angustiantes, fascinantes vozes
Minh'alma enegrecida, jaz há muito embebida
Ó terríveis, horríveis, pálidas vozes
Magníficas, demoníacas, escuras vozes

O Poeta das Sombras 

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