Parte Um - Um sorriso
Sei lá pode parecer clichê, mas até hoje sempre que eu lembro dela é o sorriso que me vêm na cabeça. Me lembro que ela estava sorrindo pra mim, literalmente, foi o que ela disse, eu tive que perguntar por que ela não parava de sorrir, ela disse "não estou rindo de você, estou rindo pra você não percebe?"
Isso é algo tão misterioso em meio a imensidão de possibilidades, me pergunto: estaria ela realmente apaixonada por mim?
Parte Dois - Variáveis infinitas
Não tenho certeza se foi no meu aniversário de doze anos uma pastora orou por mim e disse que eu seria um "pregador de boas novas", não sei, ao certo, se foi uma profecia ou só uma palavra mesmo, mas a verdade é que nessa época eu sonhava em ir pra Israel, a terra prometida, a terra de Abrão de Isaque e de Jacó, a terra de Davi, a terra de Jesus, filho de Davi.
Eu pensava nessa época que os judeus sempre foram o povo de Deus e que a maior obra missionária que poderia existir seria em Israel, o maior evento que poderia acontecer no planeta seria o reencontro dos judeus com o Deus vivo.
Hoje eu me pergunto qual decisão tomada, qual momento, qual o momento exato em que aconteceu algo na minha vida que me tornou uma pessoa tão diferente daquele garoto de doze anos de idade?
Em outro momento da minha vida fiquei fascinado pela Herbalife, eu tinha doze anos também foi meio que na mesma época. Pra quem não sabe eu fui uma criança gordinha e perdi 12 quilos em três meses com o shake de morango e o incrível chá verde, me tornei garoto propaganda, fui levado nas reuniões semanais, mensais e até naquelas que acontecem em São Paulo apenas para pessoas com a qualificação adequada na escala do marketing network, fui pra Santa Catarina e conheci o Beto Carreiro pela Herbalife, eu decorei o plano de carreira, eu iria ser presidente da herbalife e só não fui porque não existia a possibilidade de emancipação com aquela idade e não havia maneiras de se cadastrar me cadastrarem na Herbalife.
Parte Três - A festa da Gabriela Hadler
Meu caro amigo Waly sumiu naquele sábado e acabou perdendo a festa de quinze ano da Gabriela Hadler, o momento em que toda minha existência seria colocado de cabeça pra baixo.
Sex and beach era o nome da batida, parece inofensivo, mas é vodka pura.
A Gabriela Hadler estava linda, nem parecia aquela menina gordinha que me mordia e beliscava nas aulas de natação alguns anos antes.
A Gisela também estava bonita, mais pra linda e estava dançando provocante do outro lado do salão. Eu e metade dos meus amigos éramos apaixonados por ela e ela sabia. Eu queria falar com ela, mas percebi que não ia rolar, ela era mulher e eu ainda menino, mesmo com pouca idade, tive o discernimento crítico de que era melhor recuar.
Então ela apareceu. "Ela", ela mesma, aquela da história que já contei. Ela sorriu pra mim, eu tinha consciência disso a conhecia de outra vida, sabia que ela estava sorrindo pra mim e não de mim.
Naquela noite ela ainda era uma menina inocente, eu sabia disso. Eu sabia que em algum momento ela conheceria um homem que seria seu príncipe encantado, que seria o homem que lhe arrancaria suspiros e que a deixaria na lua de mel, causando feridas irreparáveis. Eu conhecia a história daquela garota.
Servi um salgadinho pra mim e também a servi, ela me disse "pensei que você era metido, achei que não ia dividir comigo", eu disse pra ela que talvez em outra vida eu não tivesse dividido mesmo. Ela sorriu, mais uma vez para mim, aliás foi a primeira vez que ela sorriu pra mim.
As vezes nos perguntamos como? Mas o universo é cheio de possibilidades. Ela estava naquela festa, estava mesmo, na festa que mudaria meu mundo pra sempre, descobri isso porque ela tem a Gabriela Hadler no face e então ela estava ali... esbarrei com ela, ela sorriu pra mim. Será?
Será que em alguma dimensão em alguma possibilidade a história pode ter sido assim? Caro Waly, você que não foi aquela festa será que me entende?
Parte Quatro - Sou e não Sou
Neste universo a cerveja faz parte de nossas vidas, ela está em todas as ocasiões. Eu sou o cara que não conseguiria suportar uma existência sem a cerveja, pra mim não adiantaria de nada o emprego dos sonhos, a família dos sonhos, esposa, filhos, amigos, respeito, sucesso, bens materiais, bens imateriais, tudo que se possa pensar... nesta dimensão eu sou o cara que trocaria tudo isso pela simples possibilidade de ter a cerveja em minha vida.
Entretanto, existe uma dimensão em que a cerveja não seja importante. Talvez eu seja um pregador de boas novas, talvez o presidente da Herbalife, talvez tenha uma banda de rap, talvez seja uma pessoa comum não importa, mas existe uma dimensão na qual a cerveja não faz parte da minha vida.
Então por alguma razão eu tive uma experiência de quase morte, de verdade tive mesmo, estava tendo uma parada cardíaca em sonho e tive que lutar muito pra acordar porque se continuasse dormindo iria morrer. Eu respirei e gritei ao mesmo tempo, bem fundo e então acordei gritando, mas pelo menos vivo e aliviado.
Desde então eu sou as duas pessoas, as duas consciências estão aqui, eu sou o cara que não vive sem cerveja e ao mesmo tempo o cara que a cerveja não faz parte da minha vida. De alguma forma consegui traduzir as duas consciências na minha mente, eu sou as duas pessoas. Eu sou e ao mesmo tempo não sou.
Isso é um milagre, mas veja bem são apenas duas possibilidades. E quantas outras devem existir?
por chaves
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